A primeira ação armada do Movimento 19 de Abril (M-19) foi invadir um museu em Bogotá e roubar a espada de Simón Bolívar para colocá-la a serviço da revolução na Colômbia. Com discurso nacionalista e ações de forte apelo simbólico, o M-19 foi uma guerrilha com trajetória bastante original na América Latina: dizia combater em nome da democracia, sem um referencial propriamente marxista.
Ao final de dezesseis anos de lutas sangrentas, a organização depôs as armas e ajudou a escrever uma nova Constituição, rompendo o bloqueio oligárquico num país dominado - desde o século XIX - por Liberais e Conservadores.
Não parece coincidência que Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda na história colombiana, tenha iniciado sua militância justamente no M-19. Conhecer a história do "Eme" é, portanto, uma forma de entender as ideias que ajudaram a forjar a liderança de Petro - um estadista que segue a carregar a espada de Bolívar, apostando num discurso de resistência ao imperialismo e de ampliação da democracia.
Ao acompanhar o percurso da guerrilha, Rodrigo Vianna nos convida também para um mergulho mais profundo na história da Colômbia - um país ainda pouco conhecido pelos brasileiros. Somos conduzidos a um labirinto marcado pela violência e as guerras civis, com um sistema político quase sempre bloqueado para os setores populares.